Guaíra se prepara para a 26ª Caminhada do Pindoba
Cultura - Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026

Guaíra se prepara para a 26ª Caminhada do Pindoba
No próximo dia 20 de janeiro, Guaíra reviverá uma de suas mais profundas tradições com a realização da 26ª Caminhada à Capela do Pindoba. O dia de fé e comunidade começará cedo, às 4h da manhã, com a concentração dos fiéis em frente à APAE. Dali, partirá a caminhada religiosa, um percurso espiritual que une moradores em direção ao local sagrado.
A celebração terá continuidade na Capela do Pindoba, com programação extensa até as 13h. O ponto alto será a missa solene, a ser celebrada pelo pároco da Paróquia de São Sebastião, Padre EdissonPátaro. O evento, que atravessa gerações, é um pilar da identidade cultural do município, atraindo devotos não apenas da cidade, mas de toda a região.
Empenhada em apoiar a tradição, a diretora de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Deise Garcia da Silva, reuniu-se com o organizador da romaria, Orlandinho Gutierrez, para alinhar os preparativos finais. O encontro reforçou o compromisso da Prefeitura com a preservação desta importante manifestação. O prefeito Junão e o vice-prefeito Renan Lelis Lopes, entusiastas da romaria, destacaram a relevância da caminhada para a coesão social e o turismo local.
A organização também agradece o apoio fundamental de Maria Aparecida Marcussi, proprietária da fazenda onde se localiza a capela e residente em Orlândia, que permite a realização do evento no local histórico.
História e Tradição
A devoção que motiva a festa tem raízes em um triste episódio do século XIX. Segundo a tradição oral, Pindoba era um escravo injustamente acusado de furto pelo patrão da fazenda onde trabalhava, em uma região que hoje corresponde a Morro Agudo. Como punição, foi condenado a um suplício cruel: foi enterrado vivo, com a cabeça para fora da terra, próximo à antiga estrada do Guaritá, rota para Minas Gerais.
A tortura foi agravada com comida inalcançável e melado espalhado no rosto para atrair insetos. Sua morte transformou-o em um símbolo de martírio e injustiça. Movidos por essa história, moradores da região passaram a visitar o local de seu sofrimento, onde, posteriormente, foi erguida a capela em sua memória.
A caminhada anual até a Capela do Pindoba é, portanto, muito mais que um ato religioso; é uma peregrinação que mantém viva a memória de Pindoba, reverencia sua trajetória e reforça os laços da comunidade com sua própria história, transformando dor em fé e identidade cultural para Guaíra.
